Deixemos que a noite nos abrace e ilumine o nosso olhar
A noite é misteriosa e temida, serena e tumultuosa, traidora e reveladora - é tempo e espaço de fascinantes equívocos e eufóricas tristezas.
Na sua intimidade, escondemo-nos e perdemo-nos, mas também nos revelamos e reencontramos - posso ser eu e o outro, em revelações passageiras ou duradouras.
Libertação ou mordaça, calma e agitada, a noite pode também ser fria e calorosa, confidente e indiscreta, privada e coletiva, afeto e repulsa, refúgio e perdição, paixão e traição - a noite pode ser tudo e o seu oposto.
Na noite, os silêncios são anjos e as luzes revelam o que as sombras e os medos escondem. Não haveria luz se não fosse a escuridão e nesta podemos ser o que quisermos.
Nesta exposição, exploram-se atmosferas proporcionadas pelo ambiente noturno, com a artista a convidar ao diálogo com experiências de uma vivência citadina, em fortes composições luminosas e cromáticas, com texturas e reflexos que exploram presenças e ausências daí resultantes.
A luz e a escuridão complementam-se e são a alma das pinturas, mas podemos igualmente centrar-nos nos deliciosos pormenores que habitam na intimidade das pinturas.
Adensam-se mistérios e promovem-se possibilidades narrativas, contribuindo para uma leitura demorada e contemplativa.
Estimulam-se partilhas e despertam-se de memórias, empatias e mistérios com o espetador.